Não tão irreais
Esses dias me peguei relendo O Diário da Princesa e pensando em quanto personagens fictíceos podem causar impacto na nossa vida.
A Mia do Diário da Princesa foi uma das personagens mais presentes na minha adolescência. Quando pus as mãos no primeiro livro, tinha uns 12 ou 13 anos de idade. Mia, de 14 anos e tão socialmente desajustada quanto eu, logo se tornou uma amiga.
Nós crescemos juntas, e falo em termos de idade mesmo. Mia envelhecia comigo.
Mas, com o tempo, se tornou alguém diferente do que era antes. Mia não era mais aquela menina que eu conheci. Ela cresceu e se modificou, e nós seguimos caminhos diferentes, como grande parte das amigas de começo de adolescência fazem.
Outro que cresceu comigo foi Harry. Aquele mesmo, o Potter. Acompanhei sua jornada mágica de menino assustado a bruxo poderoso, mesmo que também tenha me chateado com os rumos de sua aventura nos últimos livros e hoje em dia ele não signifique nem metade do que significou pra mim.
Existem vários outros personagens ficcionais que passaram e me marcaram, uns que eu amei, outros que eu amei odiar, aqueles com os quais me identifiquei, casais que eu shippei, ships que eu odiei, aqueles que eu desenhei e sobre os quais escrevi fanfic. Mais cedo ou mais tarde todos passam, como todas as pessoas "de carne e osso" também fazem.
Há quem diga que talvez eu devesse viver mais a minha vida. E pode ser que até estejam certos. Mas esses seres ajudam a me definir, deixando apenas a marca de sua não-presença de tinta, papel, pixels e tudo o mais na minha história.
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Queimem gibis em praça pública
Então, o que me traz de volta ao meu abandonado, empoeirado e largado blog?
Essa pilha de besteiras aqui:
CLICAAntes de mais nada, vou ser bastante parcial aqui, porque é o MEU blog e aqui eu falo o que EU quero, certo? Então.
Pra começar, acredito que esse fulano nunca tenha nem pego num gibi da Turma da Mônica. Claro que ele provavelmente não faz questão, né, ser exposto a todos esses "malefícios" que revistinhas em quadrinhos podem provocar. Mas aí faz a MERDA de falar de uma coisa da qual não sabe. Porque dizer que os personagens da Turma da Mônica não têm personalidade já transcende o erro e passa a ser absurdo. As personagens da Turma da Mônica têm SIM uma personalidade que vai além dos tais "clichês" (que nada mais são que represetações de comportamentos COMUNS da infância), e qualquer um que pega as revistinhas pra ler percebe que Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha têm personalidades fortes, marcantes e distintas, que muitas vezes são simplificadas e minimizadas aos olhos do grande público justamente por causa dos traços característicos dos personagens.
Magali e Cascão, potenciais vítimas de bullying? É piada, né? Eles são plenamente aceitos por todos os outros personagens (com exceção de leves conflitos em algumas histórias) e isso é algo POSITIVO. Se eles fossem excluídos, aí todo mundo ia falar que eles eram excluídos. Tenha dó.
Segundo, como acusar a Turma da Mônica de "conservadora" comparando-a com HQs que o próprio autor admite serem dirigidas pra um público adulto? Ou será que criancinhas teriam o dicernimento necessário pra refletir sobre as tendências marxistas de Mafalda? Tenha dó! Isso me cheira mais a pseudo-intelectual querendo fazer doutrinação.
Além do mais, imagina o que seria das revistas da turma em nossa sociedade se eles chegassem arrebentando a boca do balão? Foi só o Mauricio por um personagem gay na revista da Tina pra criar o maior bafafá. Imagina Mônica fazendo discursinho contra a sociedade capitalista?
Me espanta ver esse cidadão esculachar tão veementemente a Turma da Mônica. Não são essas mesmas pessoas que acreditam que a gente deve valorizar mais o produto nacional?
Não, meus amigos, vamos ler só HQs americanas e argentinas, porque a obra de HQ que mais alcançou destaque no nosso mercado é uma porcaria, não presta e só passa valores ruins para as crianças.
Mas o que me deixa mais indignada nessa história toda é mais uma vez a mídia tentar jogar a culpa dos "problemas" das crianças pra a televisão, quadrinhos, internet, video-game, raio que o parta, quando só existem duas pessoas no mundo que deveriam ser responsáveis pela educação dos filhos: OS PAIS.
Sim, os pais! Eles são os únicos responsáveis pela educação de seus filhos e cabe a eles dizer a que tipo de material as crianças devem ter acesso ou não!
Alegar que eles são "condescendentes" com a Turma da Mônica é contransenso. Aposto que se o filho de alguém começasse a sentar a mão nos coleguinhas e fosse apurada que a causa eram os gibis da Mônica, a primeira coisa que os pais fariam seria parar de comprar. Mas não. Até hoje não ouvi falar de NENHUMA criança que tenha ficado "mais violenta", "mais gulosa", "mais suja" por causa dos gibis... O máximo que pode acontecer é identificação, já que, como foi dito, esses são traços COMUNS DA INFÂNCIA.
Pode-se dizer que é o contrário. Os gibis estimulam a leitura e, principalmente agora que a Mônica é embaixadora (? embaixatriz?) do UNICEF no Brasil- título concedido, olha só, a uma garotinha que só resolve os problemas através da violência e que é um péssimo exemplo pras criancinhas-, passam muitas mensagens positivas de preservação do meio ambiente, respeito, além de tratarem temas sérios como preconceito. Isso chega até a irritar os fãs mais antigos, que acham que as histórias estão ficando muito "chatas" e "certinhas". Para os pais, educadores, tias chatas e outros politicamente corretos de plantão, ainda há muito a ser feito. Mas as coisas devem ser construídas de forma gradual, ou serão jogadas no mercado de maneira caricata, e aí quem é que vai reclamar?
Ela mesma, a patrulha do politicamente correto.
Então é isso amiguinhos. Derrubemos tudo que foi construído nos 50 anos da brilhante carreira de Mauricio de Sousa. Queimemos gibis em praças públicas e deixemos as nossas crianças em casa, cantando "Rebolation" e "Eu sou o Lobo Mau"; daí vamos ver pra onde vai nosso país.
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Ahn?
Algum de vocês, queridos leitores, já se sentiu burro? Digo, burro, burro mesmo, tipo um asno olhando pra um palácio?
Provavelmente já, uma vez que ninguém sabe tudo na vida, mas enfim.
Agora, existem algumas situações que parecem simplesmente forjadas para nos fazer sentir piores que amebas.
Uma das vezes em que me senti assim foi quando fui numa apresentação na faculdade de teatro. Nunca antes me senti tão estúpida, juro.
Enquanto eu observava três meninas rodando e rodando e falando um monte de coisas sem sentido, a pessoa que estava ao meu lado dizia "Nossa! É um trabalho pós-modernista com toques dadaístas tão profundo!" e eu só com aquela cara de "Quê??"
Sinceramente.
Me senti igualmente burra na minha prova prática de segunda-feira. Tínhamos que fazer uma prova de interpretação e criação, e todos os candidatos estavam roendo as unhas, esperando alguma coisa sobre crise financeira, Barack Obama ou cotas para nogros nas universidades...
E eles nos dão uma mosca.
Literalmente. Nos entregaram um papel com uma foto enorme de uma mosca.
Eu fiquei olhando praquela mosca, mais uma vez com cara de "Quê??"
Que fazer, né. Tive que improvisar.
O negócio é que essas pseudo-intelectualidades forjadas pra fazer alguns parecerem superiores aos outros me deixam revoltadas. Que nem essa história de arte moderna, pós-moderna, neo-pós-moderna, ou qualquer que seja a vanguarda do momento.
Putz, eu te juro: me esforço pra não ter preconceito, me esforço pra abrir minha mente.... Mas, sinceramente, não entendo o que eles queriam com aquilo. E não me vejo fazendo nada nesse sentido também.
Além do mais, qual é o ponto em continuar valorizando uma coisa que foi feita pra "romper com o sistema" quando o sistema já a reconhece? Arte moderna é vendida em museus, pelo amor de Deus. Se querem ruptura, partam para a street art. Riscar paredes. Isso sim é ruptura.
Acho que no final das contas minha vida na faculdade de artes vai ser um inferno.
Marcadores: artes, filosofia
Corujinha, corujinha / Papos artísticos
Qual é a hora em que o seu cérebro trabalha melhor?
O meu tem uma tendência a criar mais naquele momento em que eu estou no limiar entre o dormir e o acordar. Ou quando eu estou ocupada com alguma coisa.
Exemplo: estou fazendo arroz para o almoço. Pego o pote de arroz, encho a panela de água,pego o tempero, essas coisas. E, enquanto isso, surge inteirinho um
proema na minha mente.
(Parênteses para explicar o que é um
proema: "proema" é como eu chamo meus hibridozinhos de poema com prosa, nem uma coisa nem outra - não chegam a ser textos estruturados, mas não são poemas porque eu não sei fazer poesia)
Voltando à minha panela de arroz. Eu estou lá,cozinhando tranqüilamente, quando o
proema desce e, surpresa, surpresa!, eu não posso parar pro negócio não desandar ou não quero parar porque me iludo com a conversa do "mais tarde eu faço". E aí, quando eu vou fazer... esqueço. Simples assim.
Ou então,eu estou deitada na minha cama, normalmente de madrugada, olhando pras minhas estrelinhas fosfortescentes ou despencada, tanto faz. E aí desce uma crônica, um post ou um conto prontinho. Mas, como estou metade cá e metade nos braços de Morfeu, quem disse que eu tenho forças pra levantar, acender a luz, pegar o caderno e passar pro papel? (Fora que minha mãe sempre me briga quando me pega fazendo isso. Acho que é uma das razões pelas quais meu diário quase não vai pra frente; eu geralmente só consigo escrever nele durante a noite)
Tirinhas, conceitos pra desenho. Nada sai no horário normal.
Ou é meu relógio biológico que é realmente desestruturado ou é minha memória que é ruim demais e não me deixa lembrar das boas idéias quando eu posso parar pra criar.
Ou os dois. Vai saber...
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Para os artistas de plantão... Sabe aquela sensação maravilhosa quando você testa uma media e sabe que aquele tipo de material foi feito pra você?
Foi assim que eu me senti com os
marcadores, também conhecidos como
canetas de feltro!
Acho que achei a media tradicional perfeita pra mim. Marcadores são as coisas mais práticas que eu já usei. Ownam lápis de cor, ownam aquarela milhões (eu adoro o efeito final da aquarela, mas sempre me dá uma aflição na hora de pintar com aquarela, porque você meio que não tem controle sobre a parada - a água vai pra onde ela quer e isso me dá agonia) e ownam também Photoshop, com certeza.
Pois é, acho que eu sou uma das poucas artistas que não paga pau pra arte digital. Nada contra, mas... sei lá, não tem o cheiro da tinta, não tem a emoção de você pegar o papel, pegar o material e fazer. De passar o nanquim em cima do desenho.
E dependendo do estilo, a coisa acaba saindo meio artificial, ao meu ver.
O que não quer dizer que eu não faça arte digital às vezes. Como
AQUI. Só não amo de paixão.
E, ainda falando em arte, ando tendo idéias compulsivamente para tirinhas.
Ao contrário do que possa parecer, tirinha não é um tipo de texto muito fácil de se fazer - você tem que usar dois tipos diferentes de linguagem ao mesmo tempo e compactar tudo o que você quer dizer em até 4 quadrinhos. Essa é, de fato, a pior parte. Essa e usar a régua pra fazer as margens - sempre detestei réguas.
Mas tirinha também foi uma coisa que sempre tive facilidade de fazer, acho que porque tenho contato com quadrinhos já há muito tempo. Então eu sigo fazendo. Quem sabe algum dia isso me leva a algum lugar?
Eu postaria uma das minhas tirinhas aqui, mas o meu computador de casa está desligado. Estou tendo que postar do computador da escola. Um dia uma delas aparece por aqui.
Marcadores: artes, dia-a-dia