Mais uma pseudo-crítica literária
Esse post e os outros dois abaixo foram desengavetados - eles estavam aqui rolando no meu arquivo faz tempo e eu hoje sentei, espanei o pó deles e postei. Pelo menos não fico mais com nenhum desses rascunhos me perturbando.
Terminei de ler "Crepúsculo". Depois de ouvir tanto falar sobre esse livro, com gente apregoando que era o maior fenômeno da literatura desde Harry Potter e coisas afim, decidi ler pra poder discutir com conhecimento de causa (como fiz com Gossip Girl - que eu odiei).
Não li antes, na verdade, porque minha vontade era achar uma alma caridosa pra me emprestar o livro, mas nenhuma das minhas amigas/contatos/biblioteca tinha ele disponível, então decidi usar minha estratégia "lesa-livraria" e comprei pra presente - assim posso trocar ele em um mês se não gostar.
Até a página 200, mais ou menos, o livro me pareceu uma enrolação sem tamanho. Nada contra, ele até mesmo tinha tudo pra começar dando certo, se a autora não tivesse cometido um erro
CRUCIAL.
Não, digo,
CRUCIAL mesmo.
O negócio é o seguinte: o livro teria conseguido me deixar grudada, pregada até a última página... SE ela não tivesse entregado logo de cara que o Edward era um vampiro.
Francamente, a mulher jogou fora o trunfo da série.
Você lê toda aquela angústia, todo aquele estranhamento da protagonista e aquilo deveria te causar um suspense sem tamanho. Mas causa? Não, NÃO CAUSA porque você já sabia tudo o que ia acontecer. Palmas para a senhora Meyer.
Aí ela descobre que ele é um vampiro e o relacionamento dos dois descamba pra uma coisa estranha que eu não sei definir. Antes que você compreenda o que realmente aconteceu, os dois são namorados. Ok, ok. Dá pra passar.
Aí chegamos na dita página 200, ou 200 e alguma coisa, e a história engrena. Começa a parte que a gente realmente não sabia. E a trama começa a envolver. Só a trama.
A Bella não tem carisma nenhum. E, pelo menos pra mim, o Edward também não tem carisma nenhum. Todas aquelas pré-adolescentes que babam por ele devem discordar - mas simplesmente não acho que ele seja um personagem convincente. Ou talvez seja só uma questão de gosto. Talvez o Jacob faça mais o meu tipo. Ou talvez ele só ria torto demais pra eu conseguir gostar dele. Mas, numa relação matemática de "menos com menos dá mais", ele e a Bella acabam convencendo juntos; embora não tenham entrado pro rol dos meus shippers favoritos de todos os tempos, tenho que admitir que eles formam um casal simpático.
Pelo que eu li do primeiro capítulo do livro dois, este vai ser muito melhor do que o primeiro. Vai ver a autora conseguiu pegar o embalo do meio pro fim do primeiro livro. Mas só vou continuar lendo a série porque sei o que acontece no último livro (sou daquelas que não liga pra spoilers) e gosto do rumo que as coisas vão tomar. Também porque sei que o Edward quase não aparece no livro dois.
E porque o Jacob é uma gracinha.
Mas enfim, "Crepúsculo" é uma daquelas leituras despretenciosas pra quando você estiver no shopping de bobeira sem nada para fazer e decidir usar meu outro esquema "lesa-livraria": vá lá, pegue o livro, ache uma cadeira confortável e leia de uma sentada. Sem pagar, sem compromisso.
Marcadores: literatura
Corujinha, corujinha / Papos artísticos
Qual é a hora em que o seu cérebro trabalha melhor?
O meu tem uma tendência a criar mais naquele momento em que eu estou no limiar entre o dormir e o acordar. Ou quando eu estou ocupada com alguma coisa.
Exemplo: estou fazendo arroz para o almoço. Pego o pote de arroz, encho a panela de água,pego o tempero, essas coisas. E, enquanto isso, surge inteirinho um
proema na minha mente.
(Parênteses para explicar o que é um
proema: "proema" é como eu chamo meus hibridozinhos de poema com prosa, nem uma coisa nem outra - não chegam a ser textos estruturados, mas não são poemas porque eu não sei fazer poesia)
Voltando à minha panela de arroz. Eu estou lá,cozinhando tranqüilamente, quando o
proema desce e, surpresa, surpresa!, eu não posso parar pro negócio não desandar ou não quero parar porque me iludo com a conversa do "mais tarde eu faço". E aí, quando eu vou fazer... esqueço. Simples assim.
Ou então,eu estou deitada na minha cama, normalmente de madrugada, olhando pras minhas estrelinhas fosfortescentes ou despencada, tanto faz. E aí desce uma crônica, um post ou um conto prontinho. Mas, como estou metade cá e metade nos braços de Morfeu, quem disse que eu tenho forças pra levantar, acender a luz, pegar o caderno e passar pro papel? (Fora que minha mãe sempre me briga quando me pega fazendo isso. Acho que é uma das razões pelas quais meu diário quase não vai pra frente; eu geralmente só consigo escrever nele durante a noite)
Tirinhas, conceitos pra desenho. Nada sai no horário normal.
Ou é meu relógio biológico que é realmente desestruturado ou é minha memória que é ruim demais e não me deixa lembrar das boas idéias quando eu posso parar pra criar.
Ou os dois. Vai saber...
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Para os artistas de plantão... Sabe aquela sensação maravilhosa quando você testa uma media e sabe que aquele tipo de material foi feito pra você?
Foi assim que eu me senti com os
marcadores, também conhecidos como
canetas de feltro!
Acho que achei a media tradicional perfeita pra mim. Marcadores são as coisas mais práticas que eu já usei. Ownam lápis de cor, ownam aquarela milhões (eu adoro o efeito final da aquarela, mas sempre me dá uma aflição na hora de pintar com aquarela, porque você meio que não tem controle sobre a parada - a água vai pra onde ela quer e isso me dá agonia) e ownam também Photoshop, com certeza.
Pois é, acho que eu sou uma das poucas artistas que não paga pau pra arte digital. Nada contra, mas... sei lá, não tem o cheiro da tinta, não tem a emoção de você pegar o papel, pegar o material e fazer. De passar o nanquim em cima do desenho.
E dependendo do estilo, a coisa acaba saindo meio artificial, ao meu ver.
O que não quer dizer que eu não faça arte digital às vezes. Como
AQUI. Só não amo de paixão.
E, ainda falando em arte, ando tendo idéias compulsivamente para tirinhas.
Ao contrário do que possa parecer, tirinha não é um tipo de texto muito fácil de se fazer - você tem que usar dois tipos diferentes de linguagem ao mesmo tempo e compactar tudo o que você quer dizer em até 4 quadrinhos. Essa é, de fato, a pior parte. Essa e usar a régua pra fazer as margens - sempre detestei réguas.
Mas tirinha também foi uma coisa que sempre tive facilidade de fazer, acho que porque tenho contato com quadrinhos já há muito tempo. Então eu sigo fazendo. Quem sabe algum dia isso me leva a algum lugar?
Eu postaria uma das minhas tirinhas aqui, mas o meu computador de casa está desligado. Estou tendo que postar do computador da escola. Um dia uma delas aparece por aqui.
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Garota colorida
Como prometido, um post sobre o meu cabelo.
Pintei o cabelo de azul. No momento, ele já está verde-água, porque deu uma desbotada básica depois das lavagens. Mas ele começou azul.
"Gabriela, por que você fez isso? Virou uma rebelde sem causa?", você me pergunta.
Não, não virei uma rebelde sem causa. Fiz isso por alguns motivos muito simples:
1 - Eu acho bonito cabelo colorido.
2 - Eu acho bonito quando uma pessoa tem coragem de fazer uma coisa pouco ortodoxa, sem ligar muito se vai chocar os outros ou não, só porque acha bonito.
3 - Pra combinar com meu vestido da formatura (ui! Essa foi triste. Mas é verdade e é um motivo, então entra aqui)
4 - Porque se eu não fizer loucuras na minha juventude, não vou ter mais nenhum tempo da minha vida pra fazer.
5 - Cabelo cresce mesmo, mais cedo ou mais tarde.
E, juntando todas essas razões, comprei a tinta, fui pro salão e olhei enquanto meu cabelo ficava loiro e, depois, colorido.
Até o presente momento, detectei alguns tipos distintos de reação, que eu compartilho com vocês:
- Algumas pessoas me chamam e falam "Adorei seu cabelo."
- Algumas pessoas me chamam e falam "Como foi que você pintou?". Variações desse tipo incluem "Você pintou com papel crepom?", "Fez em casa sozinha?" e "Comprou a tinta aonde?"
- Algumas pessoas simplesmente se recusam a acreditar e falam "Isso aí é pintado mesmo?"
- Algumas pessoas me perguntam "Onde você arrumou tinta dessa cor?"
- Algumas pessoas me perguntam "Por que você pintou o cabelo de verde?" (é azul, mas tudo bem, eu dou um desconto porque a cor já deu uma desbotada básica)
- Algumas pessoas me falam "Nossa, você é corajosa!"
E mais um tanto de gente que me pede detalhes do processo de pintura. De um jeito ou de outro, é divertido ver as reações alheias.
Não me vejo como especialmente corajosa por ter feito uma coisa pouco convencional com o meu cabelo.
As pessoas é que se prendem demais no que é normal ou não.
...
She comes in colors everywhere;
She combs her hair
She's like a rainbow
Coming colors in the air
Oh, everywhere
She comes in colors ♪
Marcadores: dia-a-dia
Divã amigo
De vez em quando, eu penso que o destino armou pra eu ser psicóloga. Numa daquelas peças muito sem graça que ele gosta de pregar, juro que caí em uma armadilha pra não ter opção quanto à minha escolha profissional: parece que eu nasci com algum tipo de talento pra ouvir os problemas alheios.
Pra coroar, sou cercada por gente problemática, e não é qualquer tipo de gente problemática. São aquelas pessoas que pensam que seus problemas são, simplesmente, o fim do mundo, os piores, se martirizam sempre que passam por algum sofrimento, ninguém nunca vai ser mais infeliz do que elas. Se cada um conhece pelo menos uma pessoa desse tipo, eu conheço várias. E, graças ao meu já citado talento, na maior parte das vezes sou alugada como ombro, não, um divã amigo pros problemas e as angústias alheios.
E eu escuto. Enxugo as lágrimas. Dou conselho. Amo esses problemáticos e quero que eles sejam felizes. Mas, vou ser sincera, tem vezes que cansa, viu. Parece que tudo o que eu falo entra por um ouvido e sai pelo outro e não importa o quanto eu ouço, tem sempre mais pra ouvir.
No final me parece inútil tentar ajudar quando a própria pessoa não quer se ajudar. Como diz uma amiga minha (felizmente, essa bem resolvida), felicidade é uma questão de escolha. Mesmo que tudo esteja a seu favor, não tem como você ser feliz se não escolher ser feliz. Olhando as coisas sempre pelo lado negativo, fazendo drama, chorando as pitangas e fazendo beicinho, a pessoa vai ser sempre triste, não importa o quanto os outros, as circunstâncias, o mundo, o papagaio da avó tentarem fazer ela feliz.
Reconheço, tem vezes que chafurdar um pouquinho na fossa, chorar e espernear e gritas coisas como "Minha escola é uma droga!", "Odeio Física!" e "Por que ele não olha pra mim?!" faz um bem, ajuda a desafogar. Mas sem exagero. Tristeza foi feita pra você ser feliz depois. Chora, mas depois levanta, sacode a poeira e luta contra as adversidades. É essa a minha filosofia.
A propósito. Penso mesmo em cursar psicologia. Afinal de contas, com a minha experiência, posso construir uma carreira brilhante na área. Mas a minha primeira opção ainda é Artes Plásticas, com minhas sinceras desculpas ao Senhor Destino.
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Eu como sim, e vou vivendo
Não sou magrinha. Sempre joguei no time das "fofas", com meu rosto redondo e meu corpo tipo violoncelo. Quer saber? Sou muito feliz assim. Como fora, como bobagem, como chocolate sem o famoso sentimento de culpa depois. A verdade é que eu gosto de comer. E não sou masoquista pra me privar de uma coisa que eu gosto.
Claro que às vezes encano, digo que vou fazer dieta, etc. Sou humana. E vai dizer que as magrinhas também não se chateiam com o próprio corpo? "Ah, meu Deus, sou uma vareta. Minhas pernas são tão finas. Ah, meu Deus, não tenho corpo". Normal, normal. O pior é quando ela não é gorda e conseguem encucar a pobre a tal ponto que ela começa a sofrer pra emagrecer mais. Esse tipo de coisas me penaliza. Essa história do peso é uma loucura.
A culpa é de alguém (quem?) que inventou que uma pessoa com quilos a mais, que uma pessoa de busto pequeno, que uma pessoa de pernas finas ou grossas demais não pode ser feliz. E pode. Agradeço a comida que tenho à mesa e sei que sou privilegiada por sequer ter o que comer. Eu como sim, e vou vivendo. Tem gente que não come e está morrendo.
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