Dual
Ele era sério.
Até quando tentava ser engraçado, na minha cabeça, ele era sério. Alguma coisa no sorriso dele, fechado e aberto ao mesmo tempo, me fazia pensar assim.
Ele era todo assim. Uma dicotomia caminhando sobre a terra, sonhador e racional, experiente e jovial, sonhando e vivendo ao mesmo tempo, numa trama indecifrável.
Tentei entendê-lo de todas as formas.
Mas sou muito simplista. Simplista até demais; uma pessoa que vive a vida de uma maneira razoavelmente definida. Que sabe o que quer mesmo quando não sabe, ou ao menos sabe o que não quer; que vê as coisas de uma maneira concreta e que tem dificuldade para acompanhar pensamentos multifacetados, que dirá desenvolvê-los.
Ele me disse que meu texto lembrava Clarice. Ele se enganou. Clarice era profunda, era complexa, era séria até mesmo na sua displiscência; ele era muito mais clariciano que eu. A única semelhança entre mim e Clarice é que ambas escrevemos como quem chora.
Eu tentava fazê-lo rir; ele não sorria. Sério. Até quando me contava uma piada.
Amanhã irei ver palhaços e me lembrei dele. Imaginei-o lá, sério em sua descontração. Tão deslocado e ao mesmo tempo tão pertencente àquele ambiente, sua seriedade mesclada com o colorido e com um brilho profundo em seus olhos... Que sorriem sem nunca sorrir.
Eu? Eu vago pelo mundo, sempre Pierrô, nunca Colombina, à procura de alguém que ria das minhas graças simplistas.
Marcadores: divagações
Pra eu não querer sair da escola...
Algumas coisinhas seriam necessárias:
1. Abolir as carteiras. Cada um teria seu almofadão e sua mesinha (almofadão da cor que quisesse, de preferência). Quem dormisse levava advertência, claro...
2. Mudar o sistema de avaliação. De que adianta uma prova do tipo "engoli-a-enciclopédia" se você pode colar tudinho do cara da frente? Avaliação a partir do rendimento em classe já!
3. Os professores realmente se sentirem motivados pra dar aula...
4. ... E os alunos realmente quererem assistir à aula.
5. Respeito mútuo entre funcionários, alunos, professores, diretoria. Não tem coisa mais triste do que ver falta de respeito na escola!
6. Matérias optativas! Legais de preferência, tipo línguas, arte, dança, cinema, fotografia...
7. Clubes formados pelos alunos. Tipo Clube de Cinema, Clube do Livro, Clube de Desenho, Clube de Futebol. Ia ser ótimo pra conhecer gente que curte as mesmas coisas que você!
8. Gincanas culturais, que realmente mostrassem como usar o conteúdo que a gente aprende.
9. Laboratórios, oficinas, mesas redondas. Coisas enriquecedoras e divertidas - em horário extra-curricular.
10. Seriados nerd e sci-fi no lugar das aulas de Física...
Como tudo isso não passa da vontade e da imaginação da que vos escreve, fico feliz quando digo que escola não me pertence mais!
Marcadores: tudo de blog
Final de festa, músicos a pé
Hoje eu fui, pelo (conta nos dedos) 5º ano consecutivo, ao mais tradicional evento de anime e mangá de Salvador: o Anipólitan.
Desde 2005 - como vocês obviamente devem ter contado acima - eu bato cartão no Anipólitan. Desde 2005 eu me divirto, de uma maneira ou de outra... Ou pelo menos era assim.
Acho que cada ano foi de um jeito, diferente, e mudando comigo; quero crer assim. Hoje, ao sair do evento com um vazio enorme no peito, me peguei pensando em como o Anipólitan me acompanhou e de, alguma forma, influenciou a minha adolescência, mesmo só acontecendo uma vez por ano.
Em 2005... Foi o meu primeiro Anipólitan. Eu era uma garotinha transbordando genuína euforia por finalmente, FINALMENTE acontecer um evento de anime e mangá na minha cidade. Me dirigi ao 2 de Julho duas horas antes de começar o evento, tomei sol de rachar a cabeça e fazer o fulano pedir misericórdia, enfrentei fila monstruosa, fui uma das primeiras pessoas a entrar nas imediações do Colégio. Os cosplayers eram uma meia dúzia de gatos pingados e eu os achei o máximo mesmo assim. Só havia uns 4 stands que se valesse a pena visitar, e eu amei todos eles.
(Teve tumulto no stand da JBC, imagina só! Essa vai ser uma das cenas inesquecíveis da minha vida, um bando de gente se amontoando numa baderna desordenada e gritando
"TIO! ME VÊ FRUITS BASKET 6, 7 e 8 PELAMORDEDEUS!")
Todos os meus amigos estavam presentes e a gente se divertiu horrores. Comprei uma touca do Mokona e uma camiseta de FMA. Mario se apresentou no festival Cosplay e nasceu uma lenda que perdurou até 2006.
Clássico, épico.
Em 2006, eu cheguei com a convicção que o Anipólitan, e não a Disneylândia, era o lugar mais feliz da Terra. Comprei a minha plaquinha. Todos LIAM as plaquinhas uns dos outros. Mendiguei dinheiro pra comer yakissoba - e consegui. Os stands continuavam com filas homéricas, embora não tivesse mais gente se degladiando por um mangá de Fruits Basket. Cantei no Aniokê - e segundo minhas amigas, tive minha performance estragada por uma menina aleatória que cantou a mesma música comigo. Sim, minhas amigas ainda estavam lá. Não todas, mas estavam. Comprei mangá e entrei nas exposições só pra descansar as pernas da andança do dia. A gente dava voltas e mais voltas e mais voltas naquele 2 de Julho minúsculo, adorando tudo aquilo! Mario se apresentou de novo no festival Cosplay. Não foi tão épico, mas foi muito bom.
Divertido, louco. Momentos divididos com gente legal.
Em 2007, voltei ao 2 de Julho no mesmo espírito de 2006; é até meio difícil diferenciar os dois no meio do turbilhão da memória, mas lembro que foi uma ano divertidíssimo porque a quantidade de cosplays bem-feitos começava a aumentar. Ainda havia aquele clima de "família", então nós não nos fizemos de rogadas e simplesmente começamos a stalkear cosplays. Digo, coisa de stalker
mesmo. A gente via um cosplay do Edo e gritava "OLHA O EDO, ABRAÇA O EDO!", ia lá e abraçava. Sim, isso mesmo. Insano, pouco usual, constrangedor e hilariante! Teve até um Kakashi que levou uma carreira da gente até o ginásio do colégio. Muitas das amigas que foram comigo em 2005 já não estavam lá em 2007, mas eu havia conhecido novas amigas e elas se apresentaram em peso. Juntou o que sobrou da galera antiga com a galera nova que veio.
Ainda louco e engraçado, o clima se mantinha.
No meio do caminho, veio o AniBahia, que pra mim não foi grandes coisas, mas valeu a pena por todos os stands paulistas que a Yamato trouxe pra Salvador...
Chegamos em 2008. O Anipólitan mudou de lugar. O pobre 2 de Julho não dava mais conta; era pequeno demais. Pelo menos a faculdade Universo era mais acessível para nós, meros mortais que dependem das caronas dos pais e que rezavam por alguma coisa acessível no centro da cidade. Fomos, eu e duas amigas minhas, saindo de casa na hora prevista pra começar o evento - e comigo quase tendo um surto por causa disso, já que eu havia chegado com antecedência nos outros anos. Encontramos o resto do pessoal de 2007 lá, também. Só duas pessoas que haviam ido em 2005 estavam lá, se bem me lembro.
A cara do evento tinha mudado. Vários stands novos, muitos cosplays bem-feitos; tirei muitas, muitas fotos! A gente comeu yakissoba. Eu quebrei minha plaquinha. Comprei um Mokona de pelúcia.
Muita coisa estava acontecendo ao mesmo tempo. Não sei onde se deu o Aniokê. A fileira de stands era claustrofóbica de tão apertada.
Voltei pra casa, feliz ainda, realizada. Mas não fui mais nos dois dias do evento, como havia ido em todos os anos anteriores. Me fez falta? Acho que sim, mas decidi relevar.
E veio esse ano. Saí de casa uma hora depois do horário previsto pra começar o evento. Muita gente, muitos stands, muitos cosplays (muitos cosplays RUINS também), muito tudo... Gente conhecida tinha, esbarrei com várias pessoas. Na maioria das vezes nem pude parar pra conversar; dei oi, tudo bem?, tchau e tive que seguir atrás de minhas duas amigas, duas, que foram minha companhia durante o evento e das quais eu tinha medo de me perder em meio à multidão esmagadora que circulava entre os stands. E ficar sozinha.(Sem crédito no celular, ainda por cima.) Eu e minha plaquinha, segunda, comprada porque a primeira quebrou ano passado. Não sei nem porque me dei ao trabalho; quase ninguém mais lê. Somos um bando de gente estranha que não mais se conhece e, além disso, não quer se conhecer. Conhecer gente nova e fazer amizade no Anipólitan? Ficou pra trás!
Não encontrei mais meus amigos de 2007. De 2005, sobrou uma das amigas que estava comigo. Somos todos adultos, não? Temos todos responsabilidades. Gastar tempo em convenção de anime é coisa pra criança; nem gostamos tanto de anime assim agora; não é?
Ponto positivo? Stand da Comix. Foi muito bom ver eles visitando a nossa cidade pela primeira vez. E ao mesmo tempo dá uma amargura saber que as editoras não mais dialogam com os fãs a ponto de se dignarem a mandar seus próprios representantes para o nosso evento, nós, que vivemos no cafundó que é a Bahia; não, vai tudo através da loja especializada. Stand de editora, só no Anime Friends, que é em São Paulo, centro cultural, econômico e tudo o mais do Brasil. Mas o saldo é positivo, porque eles vieram trazendo coisa à qual a gente não teria acesso por outros meios, até porque tem editora *cofcofNEWPOPcofcof* que NÃO ENVIA material pra bancas e fãs de fora do Sudeste se ferram bonito.
(Ressalto aqui que quero meu volume UM do Grimm's Manga... O 2 é MUITO bom, mas o 1 simplesmente NÃO TINHA MAIS quando cheguei. Terei que comprar pela internet?)
Protesto também porque tinha altas coisas de Star Wars e nada de Star Trek. Ainda amo SW, mas Guerra dos Clones tirou um pouco o meu tesão, falando sério. Agora vai ficar na base do desenho 3D mal feito pra vender pra criança; George Lucas, no dia que vocês fizerem mais um LIVE ACTION decente da série a gente volta a se falar, beijos.
Nem comprei nada além de mangá, porque resolvi guardar todo o meu dinheiro pra comprar o DVD de Star Trek quando sair em novembro.
E ao final disso tudo, eu me pergunto... Mudou o Anipólitan? Mudaram minhas amigas? Mudou a mentalidade da turma com a qual a gente se identificava?
Ou mudei eu?
E pensando em tudo isso, sinto amargura. Vontade de chorar mesmo, porque páro e me dou conta. Amanhã vai ter mais um dia de evento, 2010 provavelmente teremos Anipólitan mais uma vez...
E eu não quero mais voltar.
Marcadores: anime e mangá, dia-a-dia, divagações