quinta-feira, 22 de maio de 2008

Um conto de dois minutos e meio

Ela virou-se para ele que, deitado ao seu lado, parecia absolutamente perdido em seus próprios pensamentos.
- Eu achei que você tinha parado de escrever.
Ele virou-se bruscamente, com aquele mesmo olhar indecifrável. Saber o que estava pensando, se estava triste, feliz, era algo quase impossível.
- Por que eu pararia de escrever?
Hesitou. Sentiu seu rosto esquentar.
- Bom, não sei... É tudo tão estranho. Você me pareceu tão diferente de antes. Meio, ah, desiludido da vida.
Ele riu. Uma daquelas risadas curtas, que se confundem com um muxoxo ou uma interjeição. Ela não sabia dizer.
Ele era todo uma grande incógnita.
- Meu amor, a essa altura desiludidos não estamos todos?
Uma grande incógnita que ela não podia deixar de amar.

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Este projeto de conto é puramente ficcional. Qualquer semelhança com pessoas e fatos reais é mera coincidência.

Ou não. Vai saber.

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2 Comentários:

Às 25 de maio de 2008 17:49 , Blogger Silier Borges disse...

gostei do "protótipo" de conto, que na verdade, mesmo em tamanho micro, não deixa de ser um.
É curioso, por que ultimamente tenho passado por dificuldade semelhante. Não mais consigo escrever poesia ou prosa poética, motivo: desilusão mesmo.

 
Às 31 de maio de 2008 15:07 , Blogger Robbie Jacks disse...

Hehehehe, e não é da desilusão que saem os melhores escritos?...

 

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