Além do arco-íris
Venho acompanhando esse caso do personagem gay da Turma da Mônica desde pouco antes de estourar na mídia. Em um tópico na comunidade do Orkut, discutiram o problema de todos os ângulos possíveis e imagináveis, inclusive os preconceituosos, fundamentalistas, sem embasamento e etc.Enquanto penso que o pessoal está fazendo a maior tempestade antes de ler realmente o que foi feito - porque muita gente fala sem sequer saber o contexto em que o personagem foi inserido e, vou te contar, uma criança que não saiba o que é homossexualidade no máximo vai ficar intrigada e pular pra próxima história - eu me pergunto por que trazer um gay pra Turma da Mônica é tão ofensivo. Como bem trouxeram na já citada discussão, por que não falaram quando foram criados Luca, o garoto cadeirante, e Glorinha, a menina cega? Os três fazem parte de minorias que lutam para serem incluídas na sociedade, então por que uma luta é mais válida do que a outra?
Alguns falaram que não é adequado discutir algo assim com crianças pequenas. Mas, pra ser sincera, se não for a revistinha, será qualquer outro meio da mídia que abrirá a questão: novelas, programas de auditório, internet. A informação hoje é muito mais acessível, e não seria muito melhor entrar em contato com o debate de forma saudável?
Claro que a responsabilidade não devia ser só da mídia - os pais deveriam dialogar com seus filhos. Mas se isso acontecesse, nem estaríamos tendo essa discussão; isso não seria mais um problema. Diálogo é a chave pra tudo isso. O problema é que a família se exime do seu papel de educar - depois culpa a escola, a tv, os quadrinhos.
Por fim, quero dizer que idolatro Mauricio de Sousa. O homem é um gênio e fez pelos quadrinhos brasileiros coisa que ninguém nunca, jamais fez. Ele é genuinamente preocupado com as crianças e reconhece o papel que elas têm na formação da sociedade. Seu trabalho sempre busca instruir e educar, a ponto de até irritar alguns dos fãs mais velhos. E ele conseguir fazer tudo isso ao mesmo tempo que diverte do bebê ao vovô é no mínimo louvável. Ele nunca trataria a questão de maneira inapropriada ou ofensiva pra alguém. Porque não existe nenhuma ofensa, de fato, em se gostar de alguém do mesmo sexo.
A maldade está nos olhos de quem vê.
Marcadores: tudo de blog
